Desafios Educação: ampliar o Ideb e recuperar ano letivo é necessidade urgente em Natal

Desafios Educação: ampliar o Ideb e recuperar ano letivo é necessidade urgente em Natal

Cláudio Oliveira – Repórter

Além de todos os problemas inerentes à educação pública, para os próximos anos, haverá uma dificuldade adicional: recuperar o tempo de aprendizagem perdido com a paralisação das aulas, provocada pela pandemia da covid-19. O novo desafio soma-se, entre outros, à necessidade de construir mais escolas e creches, garantir a manutenção desses estabelecimentos de ensino e valorizar os profissionais. Esta é a segunda reportagem de uma série da TRIBUNA DO NORTE que apresenta os desafios em diferentes áreas da administração municipal para o novo gestor a ser eleito nas próximas eleições.

Em 2020 matricularam-se na rede municipal de ensino de Natal 53.271 alunos desde a Educação Infantil (creche) até o 9º ano do Ensino Fundamental, além de 5.085 na Educação de Jovens e Adultos (EJA). Contudo esses estudantes praticamente não tiveram aulas presenciais, devido à pandemia do novo coronavírus.

Ana Maria Soares vive o que centenas de mães estão enfrentando atualmente. Ela foi com o filho Bruno Samuel, estudante do 4º ano, receber as atividades impressas na Escola Municipal São Francisco de Assis, no bairro de Nazaré, zona Oeste da capital e disse que prefere que as aulas remotas continuem, mas que haja melhor estrutura e planejamento. “Porque é algo que ainda não tem uma vacina e mandar ele pra escola é assumir o risco até de morte, quem sabe. Ele está conseguindo estudar de casa, sempre enviam as tarefas pelo celular ou a gente imprime e ele faz. Eu me sinto mais segura, mas claro que não é o mesmo ensino”, declarou.

O filho de Ana Paula é um dos que se beneficiará se o Município conseguir oferecer um ensino híbrido de qualidade. Mas seria preciso pensar em casos como o dos estudantes Davi Emanuel, também do 4º ano, e Ana Júlia, do 2º ano. Eles também foram buscar as atividades impressas na escola, mas nem sempre conseguem acompanhar as lições pela internet. “Eles fazem as lições de casa, mas às vezes não tem internet no celular e fica difícil estudar”, contou o pai deles, Paulo Firmino. As crianças relataram que preferiam estar na escola estudando com os professores e com os colegas de turma, mas a pandemia os obriga a fazer as tarefas de casa e nem sempre é possível.

Os professores destes estudantes estão realizando o trabalho com equipamentos próprios. A escola dispõe de apenas duas lousas digitais e um pequeno laboratório de informática com máquinas do ano de 2008.

Observando casos assim, fica evidente o prejuízo na aprendizagem dos estudantes. Para tentar recuperar esse atraso, a Secretaria Municipal de Educação prevê que será necessário, pelo menos, dois anos de muito esforço do Poder Público.

“É o maior desafio que está posto. Não vamos conseguir reorganizar essa aprendizagem em apenas um ano. Fizemos reorganização curricular e os próximos dois anos serão direcionados para isso. Temos que trabalhar para aumentar o índice de aprendizagem. Mudar estrutura de assessoramento. Trabalhar mais perto do professor e analisar escola por escola, para que esse trabalho seja alcançado”, explicou a secretária adjunta de gestão pedagógica da Secretaria Municipal de Educação (SME), Ednice Peixoto.

Segundo disse, a SME trabalha o orçamento voltado para esta causa e o planejamento para 2021 traz como uma das principais metas a formação para alunos e professores voltada às tecnologias, garantindo laboratórios de informática nas escolas e equipamentos multimídia para o ensino remoto. A Secretaria reconheceu que o chamado ensino híbrido, cujas aulas são oferecidas tanto na modalidade remota quanto na presencial, vai precisar de mais recursos e estrutura.

Será preciso incorporar metodologias e aumentar o orçamento. “Estamos planejando o remanejamento de ações para serem redimensionadas com um ajuste e incentivo maior nessa direção de estimular as tecnologias digitais. A gente não vai ficar distante dessa tecnologia”, garante a secretária.

Mas, por enquanto, o detalhamento de todo esse plano, o orçamento e como tudo isso ocorrerá na prática, ainda não foi divulgado, nem apresentado ao Conselho Municipal de Educação.

Desafios passam por melhoria de escolas e garantia de vagas

Os novos esforços que a pandemia trouxe para os próximos anos da Educação deverão ser somados a outros para assegurar o que sempre é cobrado ao Poder Público: garantia de vagas e manutenção dos estabelecimentos de ensino, de modo que tenham estrutura para oferecer um ensino de qualidade e melhores condições de trabalho aos professores e outros profissionais da rede.


A vice-presidente do Conselho Municipal de Educação, Cleucy Meira Tavares, destacou que isso exigirá mais esforços da Secretaria de Educação. “Houve ampliação da rede, mas precisa reforçar a manutenção da estrutura das escolas. As obras demoram muito para serem concluídas e a manutenção não acompanha a necessidade. As escolas precisam ser equipadas. Os recursos que a gente recebe são para manutenção do dia-a-dia e, por isso, insuficientes para manter a parte estrutural dos prédios, maquinário…”, disse. Há escolas ainda sem refeitório, bibliotecas e salas multifuncionais que atendam à necessidade, por exemplo, por isso a necessidade da ampliação de espaços com material necessário para a realização das atividades didáticas.

Realizar a manutenção de todas as escolas não é algo que acontece de forma rápida. A SME informou que os serviços de manutenção dos estabelecimentos de ensino são realizados dentro de um cronograma. Os gestores escolares informam quais serviços estão precisando e, por ordem cronológica, o trabalho é feito, contudo, é necessário realizar licitações para a contratação de empresas e profissionais que realizem esses serviços nas quase 150 unidades de ensino, entre Centros de Educação Infantil (CMEIs) e escolas.

Devido a esses procedimentos, podem ocorrer atrasos. “Todas as unidades são atendidas dentro do cronograma, na medida em que os gestores solicitam. Há atrasos devido o processo de licitação, mas eu diria que o atendimento consegue chegar a todos”, declarou a Secretária Adjunta de Educação, Ednice Peixoto.

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