Desafios Turismo: o que Natal precisa para estimular o setor

Desafios Turismo: o que Natal precisa para estimular o setor

Cláudio Oliveira – Repórter

Com sol brilhando sobre o mar praticamente o ano inteiro, Natal é uma das capitais brasileiras mais procuradas pelos turistas de todas as partes do Brasil e também de outros países. Porém, a cidade tem potencial além do sol e mar, mas precisa de outros atrativos que façam o turista conhecer melhor a história da cidade, sua cultura e gastronomia. Para tanto, as entidades ligadas ao setor sugerem maior divulgação da cidade. Algumas intervenções turísticas estão sendo elaboradas, mas devem ficar para os próximos anos. Essa é a quinta reportagem da série de desafios que a TRIBUNA DO NORTE apresenta para a próxima gestão nas diferentes áreas da administração municipal.

“A gente precisa dotar a cidade de novos equipamentos turísticos de entretenimento. Já lançamos o roteiro religioso que abrange o Centro Histórico e a história de Natal por meio de dez igrejas. As agências e receptivos já foram informados sobre esse roteiro”, disse o Secretário Municipal de Turismo, Joham Alves Xavier. Para tanto, é necessário melhorar a infraestrutura no Centro histórico da capital e isso já começou pela revitalização do Beco da Lama, que contará com mais serviços de melhorias, semelhante ao que foi feito no Espaço Cultural Ruy Pereira.

Ainda no Centro da Cidade, a Rua João Pessoa está prestes a se tornar um corredor cultural com novo calçadão, fiação subterrânea e iluminação especial para fazer a ligação entre a Catedral Metropolitana e as Igrejas do Centro Histórico, passando pelos espaços culturais num percurso que pode ser feito a pé.

Johan Xavier destacou que houve melhorias na infraestrutura das áreas turísticas, com a adequação do calçadão da Avenida Engenheiro Roberto Freire, principal acesso à Praia de Ponta Negra, e também em ruas adjacentes como a Rua Praia de Ponta Negra e Praça dos Gringos, que acolhem bares, restaurantes e eventos. Além disso, a praia mais conhecida da cidade sofrerá grandes intervenções na próxima gestão. A já anunciada obra de engorda levará até três anos para ser concluída, incluindo a extensão do enroncamento. Ao final, a praia ficará com uma faixa de areia de 100 metros na maré baixa.

Investimentos

Saindo de Ponta Negra, as outras praias, como as praias do Meio, do Forte e Redinha, ainda necessitam de investimentos e modernização. Por enquanto, está prevista nova iluminação de lead, a partir de Ponta Negra. “A Redinha vai ser revitalizada com uma orla urbanizada que contará com novo mercado público. Os recursos para estas obras estão garantidos. A da Redinha deve ser concluída no próximo ano”, disse o secretário de Turismo de Natal, Johan Xavier.

Na praia de Areia Preta, a escadaria de Mãe Luíza, que recebeu pintura de grafite nas paredes laterais, receberá mosaicos coloridos nos degraus, se tornando ponto de visitação para fotos. No roteiro destas praias, está a reforma da Fortaleza dos Reis Magos, ponto turístico da cidade que está fechado desde dezembro de 2018 e deve ser reaberto antes da alta estação de 2021, mas esta obra está sob a responsabilidade do Governo do Estado.

Outra intervenção que ficará para a próxima gestão é na Pedra do Rosário, na região do Paço da Pátria, no Centro de Natal, que foi interditada há quase um ano, devido a deterioração das vigas e pilares que comprometiam a estabilidade do monumento. De acordo com o secretário Johan Xavier, o local passará por melhorias para receber visitantes, mas ele não revelou prazos. No local, turistas poderão, além de conhecer a história e a imagem da padroeira de Natal, contemplar o pôr do sol no Rio Potengi.

Malha aérea

Em 2019, uma pesquisa do Ministério do Turismo (MTur) mostrou Natal como a terceira cidade mais procurada pelos turistas domésticos nos meses de junho e julho, atrás de Fortaleza (CE) e Maceió (AL). Novos levantamentos das agências de viagens também constatam a preferência dos turistas pela capital do sol, que figura entre as dez mais procuradas do país. O turista que mais gasta e passa tempo em Natal é aquele que vem de estados mais distantes e de outros países. Por isso, reforçar a divulgação da cidade como destino turístico e aumentar a malha aérea é fundamental.

As agências de viagens vivenciam um momento de incertezas em relação à abertura do mercado internacional em virtude da segunda onda da pandemia da covid-19 que atinge a Europa. A presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagem (ABAV/RN), Michelle Pereira, destacou que há um apelo das entidades do turismo para que haja maior divulgação de Natal fora do Estado e em outros países. “O que a gente pede muito é que o Estado e a cidade de Natal sejam mais bem divulgados como destino turístico de todas as formas”, frisou.

Ela disse que a promoção da cidade e do Estado ficou parada durante os meses mais críticos da pandemia. “Mas agora a gente já começa a ver que está voltando. Temos o turista regional vindo e estamos torcendo pela abertura dos países que mandam turistas e recebem os nossos”, pontuou.

O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio/RN), Marcelo Queiroz, ressaltou que, com o retorno de voos para o Aeroporto Internacional Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante, a expectativa é de que o turismo se recupere em 2021. “Acredito que, com a retomada da malha aérea, no próximo ano teremos um acréscimo no setor. As companhias prometeram aumentar voos, mas precisamos da promoção e divulgação forte nos polos emissores das regiões Sul e Sudeste”, pontuou.

A Azul Viagens é uma das companhias aéreas que voltou com a comercialização e deve começar a operar na capital potiguar neste mês. A intenção é atender a demanda com foco na perspectiva para a alta temporada do turismo. Os voos vêm de mercados emissores reconhecidos como responsáveis por enviar grandes quantidades de turistas ao RN, como São Paulo, capital e interior, Minas Gerais, capital e interior, e Goiás tanto da capital como de cidades do interior. A Itapemirim, grupo tradicional de transporte de cargas e passageiros pelo meio rodoviário, está ampliando sua operação para o transporte aéreo e anunciou que o Rio Grande do Norte vai ter voos regulares da companhia.

Marcelo Queiroz relembra que o setor do turismo vai ter maior dificuldade para se estabilizar porque envolve outros segmentos como o de eventos e receptivos. “Estamos retomando com uma boa ocupação nos fins de semana com o turista regional. Mas durante a semana, não temos eventos para atrair”, disse.

Entrevista com José Odécio Jr., presidente da ABIH-RN

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH/RN), José Odécio Júnior vê na revisão do Plano Diretor a melhor forma de promover mudanças que atraiam o investimento privado e resultem na ampliação das atrações turísticas de Natal, bem como maior divulgação e promoção da cidade para atrair mais turistas para a capital potiguar.

Quais os obstáculos que interferem no desenvolvimento do turismo em Natal?

O grande problema da cidade de Natal começa pelo Plano Diretor que inibe a atração de investimentos privados para a orla da cidade. Há algum investimento público, como o calçadão, mas este sozinho não se sustenta sem investimento em edificações, em modernidade, devido às limitações em relação a construções naquelas áreas das Praias dos Artistas, Praia do Meio, Praia do Forte, Redinha e Zona Norte como um todo.

Então, a infraestrutura existente não é satisfatória?

No campo da infraestrutura turística há ausência de equipamentos turísticos que impulsionem o desenvolvimento sustentável da cidade, que vem perdendo espaço para capitais vizinhas. Com mudanças no Plano Diretor poderemos atrair marinas, criar complexo turístico na região do Rio Potengi, por exemplo, que junto com a Redinha tem potencial incrível. É preciso também se ter um olhar mais abrangente para o Parque das Dunas, que é um parque urbano e, por isso, pode-se permitir uso maior do que o do atual plano de manejo, abrindo para a Via Costeira e construindo uma infraestrutura com calçadão, ciclovia e área de lazer.

O que é necessário para manter o turista na cidade?

Há a ausência de produtos turísticos na cidade. O Forte dos Reis Magos está fechado há mais de um ano. O Museu da Rampa não é concluído. O Parque das Dunas poderia ter potencial de produto turístico maior de visitação. As melhorias turísticas anunciadas para Ponta Negra melhoram a perspectiva, mas precisa dar destinação mais abrangente àquela zona não edificante e isso se volta para o Plano Diretor.

Como atrair mais turistas para a capital pós pandemia?

Precisa de maior divulgação, promoção da cidade e aumento dos voos. Estimular o crescimento da demanda investindo de forma permanente em promoção e divulgação para colocar Natal nas vitrines internacionais e ser opção.

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