Jean, candidato do PT, afirma que passe livre deve ser gradual em Natal

Jean, candidato do PT, afirma que  passe livre  deve ser gradual em Natal

O candidato do PT à Prefeitura de Natal, senador Jean Paul Prates, defendeu que o projeto de gratuidade no sistema de transportes urbanos tenha implantação gradual. Ele afirmou que inicialmente é preciso controle dos serviços prestados pelas empresas e garantir que o Poder Público fiscalize a concessão. “Primeiro, [o passe livre deve ser]  para quem realmente precisa não pagar passagem e, depois, convergindo para total gratuidade”, disse Jean Paul, na entrevista concedida à rádio Jovem Pan News Natal.  

Uma proposta controvérsias é a do “passe livre”. Alguns candidatos, como foi o caso de Kelps Lima, aqui nesta bancada, disse que não é viável e usou as palavras “impossível”. Como garantir que essa proposta seja possível?

Em primeiro lugar, garantindo que ela seja ouvida corretamente. Algumas pessoas podem transmitir, maldosamente, a impressão de que estamos prometendo, irresponsavelmente, passagem de graça no primeiro dia de governo. Não é isso. Passe livre é um processo gradual que vai sendo conquistado aos poucos. Primeiro, para quem realmente precisa não pagar passagem e, depois, convergindo para total gratuidade em transportes coletivos de massa. Então, não é que você vai andar de taxi de graça, de alternativo de graça ou até de ônibus mesmo de graça no primeiro dia de governo, Isso tem que ser um processo gradual da tarifa. Você vai invadindo a tarifa (para menos) com diminuição de custo. Primeiro, abrindo a caixa preta da tarifa, porque não se sabe quanto um empresário de ônibus ganha nessa cidade, quanto é de manutenção, pneu, pagamento de salário. Ou quanto de fato a prefeitura mesmo abocanha, em impostos ou em qualquer outro tipo de participação da tarifa que paga no ônibus. O alternativo, aqui na cidade, é pago através das empresas de ônibus, não sei se vocês sabiam. Toda a bilhetagem, erradamente ao meu ver, está na mão das empresas, de um sindicato de empresas de ônibus que nem deveria existir, pois estas empresas são concessionárias, portanto substituíveis a qualquer momento ou de tempos em tempos. Por que elas perduraram e fecharam um sindicato que não deixa ninguém entrar? Por que os processos de concessão dão desertos? Isso tem que ser esclarecido à população. Ninguém quer que ninguém entre? E a concorrência que os adversários reclamam tanto? A concorrência, o mercado existem nesse processo? Não existe. Cada vez que você abre um processo, fecha a possibilidade e dá deserto. Eu mesmo estive em São Paulo para ver os ônibus elétricos e a empresa que nos recebeu lá (que não era de ônibus elétricos, era uma empresa de ônibus de São Paulo, 1,2 mil ônibus rodando) é constituída de ex-cooperados de vans.  São donos de ônibus. Hoje são mil sócios na empresa. Perguntei: “Você participaria de um processo de licitação em Natal?”. Ele disse: “sim, mas nós não somos chamados”.


Como funcionaria a ligação das eólicas com isso. Elas comprariam os ônibus?

As eólicas são o ponto final. Em primeiro lugar, você faz o escrutínio da tarifa, descobrindo o que é caro e barato na tarifa com o ônibus a diesel mesmo. Em segundo lugar, em paralelo, você faz um remanejamento das linhas. Natal cresceu, tem comunidades onde não passa linhas, tem outras que foram excluídas da trajetória das linhas por conta da pandemia e, agora, as linhas não voltaram. Pode perguntar em qualquer bairro de Natal, aconteceu isso direto. O prefeito não tem autoridade para mandar voltar aquela linha, porque não tem concessão, todas estão vencidas. Segundo capítulo é integrar com os transportes alternativos, de maneira que os ônibus fiquem apenas nos corredores longitudinais e facilitem esse corredor. E, depois, você vai implantando aos poucos novas tecnologias. Ônibus elétrico é uma delas. Mas a bilhetagem única também é outra e a integração modal . Então, essas três principais coisas vão funcionando em paralelo. O ônibus elétrico em si, este sim, como ele representa 40% do custo do combustível, precisa ter uma fonte de energia mais constante, que não varie de acordo com os horários do dia. E aí é que eu proponho que exista um contrato. Nós, hoje, temos parques eólicos aqui, e eu sei bem disso, pois ajudei a implantar, desde 2009 tem parque gerando para Minas Gerais. Não é para o Governo Federal não, é pra Cemig, lá em Minas, comprar energia em um preço fixo.  Isso ajuda a gente a compor a tarifa. Como vocês podem ver, em resumo, é um mosaico de administrações, de gestões diferentes, nos itinerários, no tempo de passagens, nas rotas, nos usuários… Por exemplo, quem vai ganhar passe livre primeiro? Estudante de escola pública social; desempregado; a pessoa que trabalha de madrugada na Via Costeira (ou em outro lugar) e sai às 3h da manhã, tem que esperar 2h, o dia amanhecer, para o primeiro ônibus passar. Essa pessoa merece pagar passagem? Se ônibus não passa e não é culpa dela e fica duas horas, após trabalhar, vai pagar passagem? Não vai pagar passagem. Então se o sistema de bilhetagem for num cartão que é da prefeitura e não como é hoje (que é das empresas), que vai liberando para você que está desempregado, para ela que é de escola pública, para ele que está trabalhando de madrugada em um restaurante, naquele cartão pessoal, que é só seu, você vai ter catraca zero naquele dia.

O senhor tem falado falando no programa eleitoral sobre o Plano Diretor, com relação a construções à beira mar. Sendo eleito, qual será sua modificação?

Não é exatamente não construir nada. Em primeiro lugar, temos que saudar o fato de que o Plano Diretor esteja adiado por alguns meses para que pegue a nova administração e o novo mandato da Câmara Municipal. Porque tudo que é feito no apagar das luzes de mandato não presta. Dá problema, já deu antes aqui, exatamente com Plano Diretor, com Câmara Municipal. O que eu proponho em relação ao Plano Diretor é que a gente descentralize o objetivo do PDN somente na questão de verticalização. Separar o assunto de verticalização, mas que ele não seja o principal ou única forma que Natal tem de crescer. Vocês estão falando de uma pessoa que adotou Natal justamente pela qualidade de vida que a cidade propicia. Se você transforma a cidade em uma orla de Recife, Fortaleza, Rio de Janeiro ou de Santos, estraga justamente esse processo que Natal apresenta com a melhor condição de vida, que é a ventilação, a não existência de sombra na praia, a possibilidade de organizar a cidade antes dela atingir 1 milhão de habitantes, e é uma opção de vida. Claro que não estamos falando de não construir prédio nenhum, mas se você fizer os cálculos e isso já existe, da altura média da primeira rua da praia, da segunda, terça, quarta, você consegue fazer um gabarito evolutivo, principalmente na Praia do Meio, que tem uma falésia atrás. Se você fizer uma linha de prédio na frente, com uma falésia atrás, vira um caldeirão, além de dar sombra a praia. Então, tem que fazer, tipo uma escadinha. Em outros locais, você não precisa verticalizar, porque a cidade ainda é ampla lá para trás. E tem estimular que as pessoas curtam, que sintam segurança morando em casas. Essa mania de todo querer construir prédio, de ter flanelinha na rua… Isso aí é uma “São Paulização” de Natal. Eu não quero isso para Natal. Eu fugi do Rio de Janeiro e de São Paulo exatamente por isso. Não sou contra a verticalização, mas acho que devemos ter ordenamento, discutir com calma, com as pessoas que vão ser afetadas nesses bairros e dizer a elas: “Olha, tem essas opções aqui com segurança, condomínios, ruas iluminadas, viver em casas legais”. Você tem déficit habitacional? Tem. Mas você tem os conjuntos habitacionais. 

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