Maioria dos candidatos no Rio Grande do Norte não possui diploma de graduação

Maioria dos candidatos no Rio Grande do Norte não possui diploma de graduação

Cláudio Oliveira – Repórter

A maior parte dos candidatos nas Eleições de 2020 possui até qualificação até o Ensino Médio. Esse grupo soma 65,5% daqueles que se inscreveram para disputar uma vaga de vereador, prefeito ou vice-prefeito no Rio Grande do Norte. O percentual é maior do que em 2016, quando 62,79% declararam que tinham terminado o Ensino Médio ou graduação. Neste ano, 4,37% têm graduação incompleta.

Os números do TRE/RN apontam para um aumento na instrução daqueles que estão na disputa por um cargo eletivo. Há, porém, os que somente sabem ler e escrever

São 2.601 candidatos graduados disputando o pleito de 2020. Outros 4.216 com Ensino Médio e 457 com Ensino Superior incompleto. Os números apontam para um aumento na instrução daqueles que estão na disputa por um cargo eletivo. Ao todo, são 10.463 candidatos no RN, 1.337 a mais que em 2016.

Entre os que estão concorrendo, 144 com Ensino Médio disputam as vagas para prefeito, 145 para vice-prefeito e 3.927 para vereador. Com o Ensino Médio incompleto são 15 para prefeito, 19 para vice-prefeito e 616 para vereador. Aqueles que têm alguma graduação somam 289 para o cargo de prefeito, 241 para vice-prefeito e 2.071 para vereador, enquanto 27 aspirantes a prefeito têm Ensino Superior incompleto, 19 para vice-prefeito e 411 para vereador.

Ao se referir aos direitos políticos para alistamento e voto, a Constituição Federal considera que aqueles sem nenhuma instrução, os analfabetos, são inelegíveis. Contudo, a Justiça Eleitoral aceita os aspirantes a cargos eletivos se esses, pelo menos, comprovarem capacidade mínima de ler e escrever, mesmo sem apresentar comprovante de escolaridade.

Mesmo com o aumento do grau de instrução dos candidatos em todos os cargos, ainda há 14 candidatos a prefeito, 36 a vice-prefeitos e 939 a vereador com Ensino Fundamental completo; 19 que disputam vagas para prefeito, 49 para vice-prefeito e 1.284 para vereador com Ensino Fundamental incompleto; além de 3 concorrentes ao cargo de prefeito, 7 a vice-prefeito e 188 a vereador que declararam apenas saber ler e escrever.

O número daqueles sem grau de instrução (apenas ler e escreve) para o maior cargo destas eleições, que é o de prefeito, se manteve o mesmo que nas eleições municipais de 2016. Eles estavam nos municípios de Portalegre, Riacho de Santana e Taipu. Apenas um se elegeu: Sebastião Melo, o Bastinho, pelo PSB de Itaipu com 5.194 votos (57.63%). Em 2020, ele disputa a reeleição pelo MDB e além dele, Alisson Taveira (PTB-Touros), Francisco Canindé, o Titico Brito (SD Nísia Floresta) são os outros dois que declararam não ter grau de escolaridade.

Outros fatores influenciam o voto

Apesar do grau de instrução estar relacionado à eficiência administrativa e qualidade dos debates, esse é apenas mais um ponto que a população pode levar em consideração na hora de votar. Para o cientista político e mestre em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Bruno Oliveira, as próprias deficiências na educação do Brasil, que tem uma minoria com Ensino Superior completo, se refletem na percepção do eleitor e, por isso, também não é sinônimo de boa administração e representatividade.

“Este não deve ser único elemento determinante para a qualificação de um candidato. Se for considerar o grosso da população, a maior parte não consegue chegar ao nível superior. O problema educacional é muito grande. A diversidade de representantes de camadas populares pode exercer grande mandato mesmo sem níveis de instrução elevados”, explicou.

Os números isolados podem não indicar que esse é um fator fundamental considerado pelos eleitores. Seria preciso realizar uma pesquisa qualitativa, mas é possível observar uma tendência. Nota-se que, nas últimas Eleições, o percentual de eleitos entre os que tinham maior escolaridade ficou acima dos 20% dependendo do cargo, chegando a quase metade dos que disputavam a administração das Prefeituras e tinham graduação.

Em 2016, nenhum dos 25 candidatos a prefeito com Ensino fundamental completo foi eleito, mas 4 dos 19 que não chegaram a concluir o 9º ano se elegeram. Já entre os aspirantes a vereador, 146 dos 890 se elegeram com Ensino Fundamental completo além de 188 dos 1.223 com Ensino Fundamental incompleto.

Quando o grau de instrução é maior, é possível observar que nas últimas eleições municipais, 102 dos 218 candidatos a prefeito e 452 dos 1.690 postulantes a vereador foram eleitos com Ensino Superior completo. O número dos que terminaram o Ensino Médio, mas estavam com a graduação incompleta ficou em 8 prefeitos eleitos, entre 30 candidatos e mais 95 dos 404 que disputaram o cargo de vereador nos municípios potiguares.

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