Presidente do TSE afirma que adotar voto impresso ‘seria um retrocesso’

Presidente do TSE afirma que adotar voto impresso ‘seria um retrocesso’

Um dia após o presidente Jair Bolsonaro defender a adoção do voto impresso, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ministro Luís Roberto Barroso, voltou a chamar a proposta de “retrocesso”. “As urnas eletrônicas são confiáveis. O problema delas é o custo”, declarou Barroso ontem, durante o 8º Fórum Liberdade e Democracia, em Vitória (ES).

Sem citar a fala de Bolsonaro, o ministro repetiu que a época de fraudes em apurações de votos foi superada no Brasil e reforçou sua posição favorável à adoção do voto distrital misto. O presidente do TSE já havia defendido as urnas eletrônicas – embora pondere sobre seu valor elevado – e a mudança do sistema eleitoral durante live promovida pelo Broadcast Político em 23 de outubro.


Para reduzir o gasto público com o sistema eleitoral, o TSE trabalha em torno de um projeto para possibilitar “eleições digitais”, de acordo com Barroso. “De preferência, utilizando o dispositivo móvel de cada um. Estamos estudando.”


Em meio à reta final da apuração de votos nos Estados Unidos, Barroso evitou comparar os sistemas eleitorais brasileiro e americano. “Não tenho a pretensão de ter algo a ensinar. O que eu acho é que precisamos mudar para o sistema distrital misto com urgência”, afirmou, no evento.

Sem citar explicitamente a eleição nos Estados Unidos, ele afirmou nesta quinta-feira, 5, que no próximo ano o governo vai trabalhar no Congresso para que o Brasil volte a ter o voto impresso, sem urnas eletrônicas.
Em transmissão ao vivo nas redes sociais, Bolsonaro disse que é preciso ver o que “acontece em outros países e buscar um sistema confiável” para a disputa de 2022, quando concorrerá à reeleição. 


A declaração de Bolsonaro é feita no momento em que o presidente Donald Trump, de quem é aliado incondicional, coloca em xeque a apuração da eleição americana – as projeções apontavam que o candidato democrata Joe Biden está mais próximo da Casa Branca.


“Nós temos, sim. Já está bastante avançado o estudo, a gente espera o ano que vem entrar, mergulhar na Câmara e no Senado, para que a gente possa realmente ter um sistema eleitoral confiável em 2022”, disse Bolsonaro ontem.


Embora tenha vencido a eleição de 2018, o presidente fala que houve fraude na votação. Em viagem aos Estados Unidos, em março, ele chegou a afirmar que possuía provas de que tinha vencido a eleição no primeiro turno. Bolsonaro, no entanto, jamais apresentou qualquer tipo de comprovação.


O presidente citou que a deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) tem pronta uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que pode ser aproveitada para mudar o sistema de urnas eletrônicas. O texto já foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

“Tem uma Proposta de Emenda à Constituição da deputada Bia Kicis que pode ser aproveitado isso aí, voltando o voto impresso, que a matéria que você tem de auditar o voto de verdade aqui. Nós devemos, sim, ver o que acontece em outros países e buscar um sistema que seja confiável por ocasião das eleições”, afirmou o presidente.

Ontem, em uma mensagem no Twitter, marcada pela rede social como contendo informações incorretas e enganosas, Trump escreveu que todos os recentes Estados vencidos pelo democrata Joe Biden “serão legalmente contestados por fraude eleitoral”. 

A equipe do republicano apresentou diversas ações judiciais em Estados decisivos, como Geórgia, Michigan, Pensilvânia e Wisconsin, mas os pedidos para barrar a apuração de votos, por exemplo, têm sido rejeitados pelas Cortes estaduais – os Estados Unidos não têm um tribunal eleitoral federal, como o Brasil.

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