Professor Carlos Alberto (PV) defende coleta seletiva em Natal; veja entrevista

Professor Carlos Alberto (PV) defende coleta seletiva em Natal; veja entrevista

O candidato pelo Partido Verde à Prefeitura de Natal, Carlos Alberto, defende que a coleta seletiva de lixo passe a ser adotada na cidade, com incentivos para a população aderir ao novo modelo. “A minha proposta é, vamos implantar coleta seletiva, comprar o lixo das pessoas, trocar por alimentos, pela taxa de limpeza pública para ninguém pagar mais”, afirmou Carlos Alberto, durante entrevista à Rádio Jovem Pan News Natal.

O senhor foi candidato pelo PT, pelo PSOL e agora está no PV demonstrando, inclusive, um foco nas questões ambientais durante os seus programas eleitorais. O foco está voltado para as questões ambientais e o problema do lixo na capital, qual a sua proposta para mudar a realidade da coleta urbana em Natal?

O lixo choca a gente, né, a gente não gosta de ver lixo, mas alguém tem que mostrar o contraponto. A cidade não é essa que o programa de Álvaro Dias passa na televisão. Vou dar um exemplo, a engorda da Praia de Ponta Negra não consta no orçamento de 2021 que a prefeitura acabou de mandar para a Câmara. A obra do Passo da Pátria, da Pedra do Rosário, também não consta no orçamento da prefeitura para o ano que vem. O Hospital de Campanha não consta no orçamento da prefeitura para o ano que vem. Nem projeto. Então, seguinte, em nenhum desses três, nem projeto existe. Então assim, é enganar a população. Essa história de fazer hospital em Natal enganou na campanha de Rosalba, enganou na campanha de Robson e Carlos Eduardo também prometeu. Essa mentira está sendo contada pela quarta vez para a população. Agora a novidade é: ‘também tem um terreno… já temos um terreno’. No orçamento não existe nada, nenhuma referência a essas obras. Faz uma maquete eletrônica com computação gráfica e fica mentindo para as pessoas. Alguém tem que fazer um contraponto. As pessoas estão chocadas porque ‘puxa… eu estava achando uma coisa tão linda esse programa de televisão’… alguém tem que mostrar a realidade. E eu fui disposto a mostrar que Natal não é aquela do programa eleitoral. E fazendo campanha já há um ano, nós somos mais de 110 candidatos a vereador e prefeito, nós reunimos esse grupo e para reunir esse grupo você tem que andar pela cidade, conhecer os bairros, conhecer a realidade… e eu disse, poxa, a cidade coberta de lixo e esse programa parece uma produção de Hollywood? Então alguém tem que mostrar, e eu me propus a fazer isso. O modelo de lixo em Natal que já vem há cinco anos e tá completando o quinto ano agora, é o modelo que estimula o gasto com transporte. É o seguinte, o modelo em Natal é: jogue no lixão próximo da sua casa que a prefeitura vai recolher. Duas empresas recolhem esse lixo, Marquise e Vital, é um contrato de 365 milhões fora os aditivos. E esse modelo vai continuar se a gente não der um freio nisso. A minha proposta é romper com isso. Eu sou candidato para mudar.

Mas como limpar a cidade sem coletar, candidato?

Não, não é isso. A cidade não tem mais uma lixeira, procura uma lixeira da prefeitura. Não tem coleta seletiva. Nós precisamos romper esse modelo. Eu vou entrar para romper o modelo, porque quem tá ganhando com isso? Qual é a vantagem que se tem em pagar para transportar lixo desnecessariamente? Jogar fora o dinheiro público? A vantagem é essa? Manter a cidade suja? Com barata, com mosca, com escorpião, com cachorro morto, com bicho? Não. Nós temos que mostrar a realidade, eu vou romper o modelo. O lixo de Natal é o seguinte, menos de 1% é coletado em coleta seletiva, menos de 1% do peso. Esse número, o plano diretor de resíduo sólido da cidade aponta que 29% do lixo poderia ser reciclado imediatamente. Plástico, papel, vidro e metal. 29 por cento. Outros 30% é matéria orgânica que a gente poderia fazer adubo, nas praças, nos canteiros, em centros de compostagem. Então a gente tem que criar eco postos em todos os quarteirões da cidade, separar, como em qualquer lugar desenvolvido do mundo… nós não estamos mais na idade média, já passou quinhentos anos, a gente vai ficar com gestão da idade média? Porque o processo licitatório que está em curso, a prefeitura já promoveu audiências públicas, e a diferença agora é que ao invés de duas empresas coletando agora vai ter só uma, vai virar um monopólio. Aí eu pergunto, quem é que tá ganhando com isso? A quem interessa o monopólio do serviço de lixo da cidade? (estão) jogando dinheiro na mão de uma empreiteira que eu não sei onde esse modelo vai nos levar. Então nós temos que colocar lixeira na cidade, varrer as ruas, manter a cidade limpa. Isso é o básico de uma gestão municipal, limpar a cidade é a primeira coisa, o prefeito é um incompetente. Tá repetindo processo licitatório de cinco anos atrás, vai fazer do mesmo jeito.  E outra coisa, quem preside a Urbana? O braço direito do prefeito, Jonny Costa, é o coordenador da campanha dele. Então, esse modelo está errado, é uma incompetência completa. A minha proposta é, vamos implantar coleta seletiva, vamos comprar o lixo das pessoas, vamos trocar por alimentos, vamos trocar pela taxa de limpeza pública para ninguém pagar mais.

O senhor fala sobre rompimento de gestão e o senhor está demonstrando um interesse muito grande na questão ambiental, por ser do Partido Verde também… o PV já teve uma oportunidade de ser administrador de Natal, já venceu uma eleição de 2008. Porque o eleitor tem que confiar em Beto para fazer diferente do que já foi feito?

Eram outras épocas, outras pessoas, eu não tenho nenhuma relação com aquele grupo… as pessoas me conhecem.

Mas muitas das pessoas que estavam no PV naquele momento seguem agora…

Não, é completamente diferente. Não tem praticamente ninguém.

O candidato Rivaldo…

Rivaldo não teve nem espaço naquela gestão. Rivaldo entrou no último ano quando o negócio já estava degringolado. Eu não tenho nenhuma relação com Micarla, as pessoas me conhecem e sabem disso.

E com relação ao Plano Diretor de Natal? Qual sua avaliação sobre o Plano Diretor de Natal e o que pensa em fazer quando for prefeito, caso seja eleito?

Natal é uma cidade muito bonita com áreas que devem ser preservadas. Mas o principal problema nosso é o espraiamento da cidade. Natal invadiu a região metropolitana por um problema de adensamento, falta para Natal adensamento, isso é unanimidade. O que a gente não pode fazer é vender a cidade e os seus cartões postais pra verticalizar. Por exemplo, fazer quinze espigões na Praia do Meio não vai resolver o problema social de Natal. Você coloca lá mil apartamentos, mas Natal tem 885 mil pessoas morando aqui, não são mil residências que vão resolver. O que nós temos que fazer é um modelo que integre a cidade, que pare de segregar. Natal é uma cidade que sempre segregou, sempre escondeu as classes sociais mais baixas. Por exemplo, as pessoas moravam nas Quintas, moravam em Igapó, moravam em Nova Descoberta, e Natal vivia o mundinho de Tirol e Petrópolis. A verdade era essa. Chegou o momento que a cidade se uniu e hoje a segregação está sendo vista. Aquela música de Khrystal é a pura verdade. Natal é uma cidade que segrega e nós temos que integrar o turismo a população. Por que Pipa é um sucesso? Porque lá os turistas vão conviver com as pessoas, ele convive com a comunidade, convive com o nativo, com o filho do nativo, estão no mesmo bar… as pessoas se apropriaram do turismo, os nativos, eles são os donos dos estabelecimentos comerciais, certo? Então que acontece, o turista inglês, holandês, estrangeiro, de onde vier, ele vai lá e se integra a população, aqui em Natal não. O modelo do turismo é segregar as pessoas. O prefeito chegou na rádio e esculhambou com a cidade, com a população, com Brasília Teimosa, com Santos Reis, com Rocas… por que ele fez aquilo? Porque é a mentalidade de segregação…

Você acha que o mercado imobiliário teria interesse nessa integração? Com construções, vamos tomar como base da nossa orla urbana…

Tem. Esse modelo de segregação não nos interessa. Eu quero, por exemplo, que o turista chegue em Brasília Teimosa e vá assistir um ensaio de uma escola de samba. Eu quero que a cidade se integra a Brasília Teimosa, que a gente urbanize Brasília Teimosa, urbanize as Rocas, urbanize Mãe Luiza, dê qualidade, obra pública, não chegam nesses lugares. Trabalhei muito por Pipa, qualifiquei quinze mil pessoas para trabalhar com o turismo, então nós precisamos evitar que esse modelo de segregação continue, nós temos que integrar o turismo. E não é verticalizando nossos cartões postais que a gente vai conseguir. Onde nós devemos verticalizar? Primeiro, Natal antes de discutir Plano Diretor você tem que fazer duas coisas, primeiro discutir o plano de mobilidade, vamos discutir o plano de resíduos sólidos, como é que se coleta o lixo da cidade? Turista não vem para cá com cidade suja. Esse modelo de plano de resíduo sólido não funciona para Natal, nós temos que mudar completamente esse modelo. Como é que a gente vai verticalizar a cidade se a gente não fez o plano de mobilidade antes? Como é que a prefeitura não tem um plano de mobilidade? Como é que daqui há 10 anos uma cidade que terá um milhão de habitantes, região metropolitana terá dois milhões de habitantes, e Natal não terá um plano de mobilidade? Natal nunca fez uma pesquisa de origem e destinos, a prefeitura não sabe onde as pessoas moram e trabalham, não sabe os caminhos que elas fazem. Como é que você vai dimensionar as linhas de ônibus e a quantidade de ônibus em cada linha se você não sabe para onde as pessoas se movem? Aí sim, depois de fazer um plano de mobilidade, de fazer um modelo matemático e especificar onde será a estação central da Zona Norte, onde será a estação central da Zona Leste, onde será a estação central da Zona Oeste…

Candidato então eleito prefeito o senhor vai esperar esses planos para poder revisar o Plano Diretor?

Eu vou ter que alterar o Plano Diretor porque no ‘toque de caixa’ que Álvaro tá fazendo ele vai fazer tudo errado. Nós temos que adensar onde houver eixos de transporte não rodoviário, eixos de transporte é o modelo matemático, eu sou professor de logística, o modelo matemático vai especificar as regiões centrais onde a gente vai ter economia de tempo e de custo de transporte para toda a sociedade. A gente vai ter uma sociedade mais produtiva. Então, entre as estações centrais a gente tem que ter ônibus expressos em alta velocidade para que as pessoas se movam e atravessem rapidamente a cidade, e linhas abastecedoras que vão se distribuir pela cidade. Por exemplo, você mora na Zona Norte, você pega qualquer meio de transporte e vai para estação central e atravessa a cidade para qualquer outro lugar. A gente tem que adensar a cidade, verticalizar, no entorno das grandes estações de transporte. Estações intermodais, porque você tem que ter o transporte ferroviário e rodoviário junto. Você pode morar em Ceará-Mirim, Extremoz e Parnamirim, você pode chegar em qualquer um desses lugares, deixar seu carro e vir de trem para Natal. A gente tem que preparar Natal pra receber metrô daqui há alguns anos. Nós teremos dois milhões de habitantes na região metropolitana daqui há dois anos, e Natal tem que fazer planejamento. Não é chegar, esse Plano Diretor feito às pressas, dizer que vai adensar a cidade e verticalizar nas principais avenidas da cidade, ninguém vai mais andar nessa cidade daqui há alguns anos. Vai ser o caos instalado no transporte.

O senhor propõe fazer escola de tempo integral em todas as escolas municipais, como o senhor pretende viabilizar isso?

 Dobrar a capacidade. Em terceirização que a prefeitura gasta um bilhão de reais, nós vamos economizar 400 milhões de reais em terceirização e vamos dobrar os investimentos em educação nessa cidade. É uma incompetência na gestão tão grande, você contratar uma terceirizada para contratar um porteiro? O que justifica a prefeitura não contratar direto um porteiro? Uma merendeira? É a completa ausência de eficiência na gestão municipal, você não ter competência para contratar um porteiro…

Mas isso não esbarraria na lei de responsabilidade fiscal? Ou comprometimento com a receita?

Não, você controle as contas. Você tá fazendo isso para burlar a lei? O objetivo é burlar a lei? Não pode ser dessa forma. Então nós vamos contratar diretamente e economizar 400 milhões. João Pessoa fez 44 CMEIS. Quarenta e quatro, não foram dois não. A primeira propaganda do prefeito na televisão foi dizer que tinha feito dois CMEIS…

Você tem um minuto para ficar à vontade…

Nós temos que mais do que duplicar a rede de creche dessa cidade, mais do que duplicar. Pois nós só temos 30% das pessoas atendidas em educação infantil em creches, as pesquisas dizem que mais de 65% querem creches públicas ou municipais. Esse é um dado de pesquisa, então nós precisamos duplicar a oferta de creches, vamos cortar da terceirização doa a quem doer. Nós temos que tratar o dinheiro público com responsabilidade e não com amizade, com camaradagem, com esse mundinho que Natal vive de passar a mão na cabeça. Não pode ser dessa forma. Por isso que eu quero pedir a vocês um voto de confiança, Beto e Dadau 43, professor Carlos Alberto pra mudar essa cidade e fazer a gestão séria que Natal está precisando.

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