RN terá mais municípios com tropas federais nas eleições

RN terá mais municípios com tropas federais nas eleições

Mais municípios do Rio Grande do Norte receberão tropas federais durante as eleições deste ano do que há quatro anos, nas eleições municipais de 2016. As tropas serão enviadas para 113 municípios, 48,6% a mais que as 76 da última disputa. O motivo para o aumento é o agravamento do acirramento político e o déficit de policiais militares, segundo a justificativa oficial do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) ao solicitar o envio ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que aprovou o pedido no final de outubro.

Com a aprovação do envio para os 113 municípios, dois a cada três municípios potiguares terão a presença das tropas federais, composta pelas Forças Armadas. Nacionalmente, 345 municípios terão a presença dos militares no primeiro turno das eleições. O papel dos militares é no apoio logístico em locais de difícil acesso, com o transporte de urnas e pessoal a serviço da Justiça Eleitoral, quanto com o emprego das tropas na Garantia da Votação e Apuração para garantir o direito ao voto, segundo o Ministério da Defesa. O Rio Grande do Norte tem um terço do total das cidades.

O acirramento político durante o período eleitoral é comum, mas neste ano, na avaliação de políticos tradicionais ouvidos pela reportagem, houve um aumento de ameaças a candidatos, além de tentativas de homicídios e homicídios consumados. Na última quinta-feira (5), cinco deputados estaduais denunciaram no plenário da Assembleia Legislativa a presença de grupos que intimidam a população e pressionam o voto em determinado candidato.

O presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira (PSDB), afirmou que existem casos em que “determinados grupos, armados, inclusive, se postam de um lado e de outro da disputa nos municípios e pressionam a população.” Ele chegou a citar as cidades de Ipanguaçu e Assu, ambas na região Oeste, que teriam registrado situações violentas. Ipanguaçu é um dos municípios com tropas federais.

“Vamos acionar todos os mecanismos de segurança para garantir um pleito legítimo e justo em todo o Rio Grande do Norte”, declarou Ferreira no plenário do Legislativo. Até o momento, nenhuma denúncia formal foi feita em nome da Assembleia à Justiça.

Outras cidades também registram atos violentos, além das duas citadas. Em Pedro Velho, dois irmãos foram assassinados no dia 5 de outubro durante um ato político. Nesta sexta-feira (6), o Ministério Público do Estado (MPRN) denunciou duas pessoas — um policial militar da Paraíba e um compositor — como autores do crime. Segundo a denúncia, os dois seriam responsáveis pela segurança privada do evento de um determinado candidato e dispararam tiros em Gilson Marques Teixeira, político da oposição que estaria próximo ao local, após cercarem ele. A cidade não vai receber as tropas federais.

Em Macaíba, na Grande Natal, candidatos a prefeitos também afirmam que sofrem ameaças durante a campanha eleitoral em determinadas áreas que seriam comandadas por facções criminosas, mas também não vai haver tropas federais. Os candidatos afirmaram que os casos foram relatados à juíza da zona eleitoral do município.

Segundo os relatos, os candidatos estariam impedidos de entrar em algumas comunidades, devido a ameaças, para fazer campanha política. “Em algumas comunidades, fui cercado por pessoas armadas que diziam que eu não poderia entrar lá. Também recebi telefonemas anonimos de pessoas me dizendo para não ir em determinados lugares”, contou o candidato a prefeito, José Aldenir da Silva (REDE), conhecido como “Bolinha da Federal”.

Aldenir, que é Policial Rodoviário Federal e pastor evangélico, afirmou que as ameaças contra ele começaram pouco tempo antes do período eleitoral. Ele afirmou que não esperava intimidações, apesar de ser policial, porque cresceu em uma comunidade da cidade e costuma pregar em igrejas dessas áreas. Além dele, outros quatro candidatos também disseram ter sofrido ameaças. Os relatos chegaram à Polícia Civil, que disse que vai instaurar um procedimento para averiguar a veracidade.

O secretário estadual de Segurança Pública, Coronel Francisco Araújo, afirmou que os casos de violência com motivação política aumentam durante o período eleitoral e que no pleito deste ano ainda não foi observado nenhuma anormalidade, mas casos pontuais. “Por enquanto, o que tivemos foram casos pontuais. Existem cidades que registraram situações de violência e nos acionaram oficialmente. Outros relatos nos chegam, mas é necessário que esses relatos sejam oficializados para agirmos”, disse.


Polícia investiga se houve motivação política

A Polícia Civil investiga pelo menos três crimes ocorridos este ano com suspeita de motivação política, em três municípios potiguares diferentes. Se tratam de duas tentativas de homicídio contra candidatos a prefeito, em Pedro Velho e Pendências, e um homicídio consumado a um pré-candidato, em Janduís, ocorrido em abril deste ano. Pendências e Janduís receberão as tropas federais durante as eleições.

A reportagem questionou a Polícia Civil se casos de homicídio e tentativa de homicídio ocorreram em eleições anteriores, e se foram mais ou menos casos, mas o órgão respondeu que não tem as estatísticas compiladas da época.

No Brasil, ao menos 15 candidatos foram assassinados desde o dia 17 de setembro, primeiro dia após o fim das convenções realizadas pelos partidos com candidaturas. A média é de um candidato assassinado a cada três dias, além de 19 tentativas de assassinato a armas de fogo. O levantamento é do professor Pablo Nunes, coordenador do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania, divulgado em reportagem no jornal Folha de S. Paulo no dia 3 de novembro.

Segundo declarou o professor ao jornal, 2020 está sendo mais violento do que anos eleitorais anteriores. Além disso, a lentidão de investigar os casos prejudica saber quantos assassinatos tiveram, de fato, motivações políticas.
No Rio Grande do Norte, por exemplo, o assassinato do pré-candidato a prefeito em Janduís, Raimundo Gonçalves de Lima, conhecido como “Neto de Nilton”, chegou ao sétimo mes sem resolução. Lima foi morto próximo a fazenda onde morava, quando estava chegando a propriedade. Ele foi obrigado a sair da moto, em seguida foi levado até um matagal próximo e foi assassinado. Nenhum pertence dele foi levado.

Neto era pré-candidato pelo PSOL. O partido lançou outra chapa e continua na disputa a prefeitura de Janduís. A Polícia Civil afirmou que as investigações seguem em curso e que não pode concluir se os crimes foram por motivação política.

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