Rosália, candidata do PSTU, quer equiparar salários dos políticos e servidores em Natal

Rosália, candidata do PSTU, quer equiparar salários dos políticos  e servidores em Natal

A candidata do PSTU à Prefeitura de Natal, Rosália Fernandes, defende a equiparação entre os salários pagos ao prefeito, secretários e vereadores e aos de professores e demais servidores do município. A ideia é que a remuneração equiparada tenha como referência  o salário mínimo calculado pelo Dieese, atualmente próximo de R$ 5 mil. “A nossa proposta é o salário que o Dieese defende, que é de quase cinco mil reais, porque um cargo político não pode ser uma forma da pessoa ter mais privilégios”, afirmou Rosália, durante entrevista à Rádio Jovem Pan News Natal. 

A senhora já tem 20 anos de PSTU. O PSTU foi um partido que teve um fenômeno de votação para vereadora aqui em Natal, com Amanda Gurgel. Mas, após esse período, não conseguiu uma nova representação na bancada. Por que o PSTU tem essa dificuldade aqui no Rio Grande do Norte?

Realmente, é verdade e nós reivindicamos o mandato da vereadora Amanda. Foi um mandato que gerou muita polêmica na cidade, porque ela enfrentou os privilégios dos grandes poderosos e aplicou a política do PSTU. Na Câmara de Vereadores, hoje, não apenas o PSTU, mas existe uma dificuldade no que diz respeito aos partidos de esquerda. Por mais que se diga que as eleições são uma democracia, é um jogo de carta marcada, no qual o que predomina é o poder econômico. A gente vê os partidos grandes, que não são o nosso, pois nós não recebemos dinheiro de empresário, não fazemos aliança com partidos burgueses, nem também recebemos dinheiro da burguesia. Tanto que a gente também não tem tempo de TV. Nós temos uma dificuldade, inclusive, em apresentar nossas propostas, o nosso programa. Então isso se deve também a essa dificuldade e a essa limitação. Quem é de partido grande, ou que se junta com os grandes, ou que se junta com os poderosos, faz essa barganha e no final conquista essa vaga. Nós não queremos isso. Conquistar espaço no parlamento em troca disso.

Mas aí quatro anos depois do primeiro mandato de Amanda Gurgel nas últimas eleições teve uma excelente quantidade de votos, daria pra entrar e não entrou, devido ao sistema de coligação. Houve um erro de estratégia do partido?

Não houve um erro de estratégia, porque nós não fazemos alianças e isso tem a ver com o final da minha última resposta. A gente não faz coligação e nem alianças a todo custo, porque nós temos um programa. O nosso programa, esse princípio, que nos norteia. Nós temos um programa que é de ruptura com o sistema que está aí, ruptura com os privilégios dos ricos e dos grandes empresários da cidade que é quem manda. Então, nós não abrimos mão disso para ter uma vaga no parlamento. 

A senhora tem nas suas propostas uma previsão de aumento dos impostos para maiores empresários, para IPTU de mansões, de hotéis, e também uma forma de se cobrar dívida desses grandes empresários. Mas a classe empresarial também é empregadora. Sendo eleita prefeita, não acredita que essa postura da Prefeitura pode, de certa forma, dificultar a geração de empregos?

Olhe, o que é nós vemos, quando uma empresa vai se instalar aqui na cidade, o governo isenta tudo para as grandes empresas. Elas demitem da mesma forma, fecham as portas e vão embora. Ou seja, o governo deixou de arrecadar porque isentou impostos, essas empresas e os donos delas enriquecem cada vez mais e não estão nem aí. Então assim, não é justo com os trabalhadores. A nossa proposta é essa mesmo, cobrar a dívida ativa que essas grandes empresas devem. As empresas devem mais de 1 bilhão. Quando a gente compra uma casa ou um carro que é financiado, se não paga, o banco toma. Não é assim? Tem um exemplo bem claro de uma senhora em Belo Horizonte, o esposo dela, muito grave, precisou de um exame que o plano não garantiu. O exame foi R$ 900,00. O banco tomou a casa dela. Uma casa que valia 700 mil reais, o bancou tomou inclusive no valor de R$ 350 mil. Os empresários dessa cidade devem há muitos anos e nenhum prefeito cobra. Então, por que que um trabalhador, um operário, uma pessoa deve e é tomada a sua casa? O seu carro? A sua bicicleta? E o dono de uma empresa deve e não acontece nada? 

Mas não existe hoje, candidata, o sistema de dívida ativa e de cobrança do município? 

Mas não funciona. Por que esses empresários devem há anos e continua do mesmo jeito. Um exemplo claro, os donos das empresas de ônibus. Se somar a dívida que eles devem ao governo do estado com a do município, eles devem certa de R$ 164 milhões, só à prefeitura devem quase 64 ou 63 vírgula alguma coisa… E o prefeito não cobra. E esses empresários ainda tiveram a isenção de 50% de impostos da Câmara Municipal e ainda cobram uma passagem cara de quatro reais por um serviço precário, ineficiente e muito caro. Então, os empresários são beneficiados sempre. A classe trabalhadora, não.

A senhora é profissional de área da saúde, assistente de saúde no maior hospital do Estado que é o Walfredo Gurgel, lida com a realidade da saúde aqui na cidade. Eleita prefeita, vai manter o protocolo do tratamento da covid-19 que é feito hoje pela prefeitura de Natal?

Primeiro, nós achamos que o prefeito não fez como deveria fazer, apesar de que ele faz muita propaganda em cima disso. Montou o Hospital de Campanha e tal. Mas acontece o seguinte, muito cedo, em pleno pico da covid-19 ele reabriu tudo. Reabriu a economia, inclusive, isso fez com que os casos de covid aumentassem mais. Nós somos contra o protocolo que se utiliza da ivermectina. É errado, porque não existe nenhuma comprovação científica para isso. Nisso ele (o prefeito Álvaro Dias) faz uma propaganda dizendo que diminuiu ou que não teve tantos casos de covid, inclusive aqui em Natal. Teve mais de mil casos de mortes de covid. Então, nós somos contra esse protocolo que é a distribuição da ivermectina e da hidroxicloroquina, porque não existe nenhuma comprovação. O presidente Bolsonaro defende isso, mas nós temos mais de 160 mil mortos no país. 

A senhora tem uma proposta no que é a equiparação do salário dos políticos aos dos professores do município. Primeiro eu queria saber se vai igualar por cima ou por baixo, e como a senhora pretende viabilizar financeiramente essa conta?

Primeiro, nós não defendemos esse salário que é pago aos servidores, aos professores de Natal. O prefeito sequer cumpre a lei do piso. Ele recebeu recursos do Fundeb e não reajustou de acordo com o piso do Fundeb, não cumpre a lei. Ele nem sequer aplicou os recursos do Fundeb e nem reajustou em 12,80 e poucos por cento, que é o valor do piso. É tanto que agora nas vésperas da eleição, no mês de setembro, encaminhou para poder implantar. Isso após os servidores terem feito protesto e terem feito mobilização lá em frente a Câmara Municipal. Ele sabia muito bem que isso não era possível por causa do período eleitoral. Então, ele não cumpre o piso. De fato, nós defendemos sim, porque não é justo que um professor, que um trabalhador em saúde, qualquer outro trabalhador ganhe isso, e um prefeito ganhe R$ 18 mil, R$ 20 mil, fora os privilégios que tem. A nossa proposta é reduzir os salários, nós quando assumirmos a prefeitura nós vamos estar reduzindo o salário da prefeita, dos secretários, e a nossa proposta é o salário que o Dieese defende, que é quase cinco mil reais, porque um cargo político não pode ser uma forma da pessoa ter mais privilégios que já tem e tá fazendo isso para acumulação de patrimônio. Acontece que não é um emprego, ele foi eleito para estar desenvolvendo um trabalho e servindo à população. 

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